RS Concursos
25/02/2026 15:31:08
A consolidação do Tema 924 e os reflexos práticos do art. 17 do Código Penal na atuação policial e nos concursos.
O debate surgiu de maneira recorrente na prática forense: seria possível reconhecer crime impossível (art. 17 do Código Penal) quando o agente pratica furto em estabelecimento comercial dotado de sistema de câmeras, vigilantes ou mecanismos antifurto?
A tese defensiva sustentava que, diante da vigilância permanente, a consumação seria inviável, configurando hipótese de ineficácia absoluta do meio.
O STJ foi provocado reiteradamente sobre a matéria até consolidar entendimento vinculante em sede de recurso repetitivo (Tema 924), culminando na edição da Súmula 567.
O art. 17 do Código Penal dispõe:
A doutrina distingue duas hipóteses clássicas de crime impossível:
O ponto central está na palavra absoluta. Se houver mera dificuldade ou ineficácia relativa, haverá tentativa punível.
O STJ afirmou que sistemas de vigilância eletrônica e segurança patrimonial:
A Corte adotou um juízo normativo de perigo potencial: enquanto houver possibilidade concreta de superação da vigilância, não há falar em ineficácia absoluta.
Em outras palavras: câmeras não tornam o furto impossível; tornam o furto mais difícil.
A Súmula 567 é uma resposta institucional necessária.
Reconhecer crime impossível de forma automática em todo estabelecimento monitorado significaria esvaziar a tutela penal do patrimônio nas grandes redes comerciais.
Do ponto de vista operacional, a decisão reforça que:
A distinção entre ineficácia absoluta e ineficácia relativa é o eixo estruturante da decisão.
A Súmula 567 possui reflexos diretos na lavratura do flagrante:
A tese evita nulidades e reforça a segurança jurídica da atuação policial.
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Acessar página de cursosPegadinha clássica: afirmar que “câmeras tornam impossível a consumação”. Errado.
A Súmula 567 consolida que o Direito Penal trabalha com possibilidade real, não com impossibilidade teórica.
Sistemas de vigilância são instrumentos de redução de risco — não de neutralização absoluta.
Para o operador da segurança pública, isso significa respaldo jurídico.
Para o candidato, significa ponto garantido na prova.
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Capitão da Polícia Militar do Estado de Goiás
Bacharel em Direito – Universidade Federal de Goiás
MBA em Gestão de Policiamento Ostensivo