RS Concursos
17/02/2026 21:27:39
A prova discursiva da PCGO é uma das etapas mais decisivas do concurso para Agente, Escrivão e Papiloscopista. No último edital (2022), ela foi aplicada junto com a prova objetiva e teve regras objetivas sobre quem teria a redação corrigida, nota mínima e critérios de avaliação.
Nesta primeira parte, vamos estabelecer a base: por que a discursiva muda o jogo, como o edital estruturou a etapa e quais pontos precisam estar claros antes de partir para a análise dos temas que caíram para cada cargo.
Na sequência (nas próximas partes), a gente entra no detalhamento do item 12 do edital e, depois, no estudo prático de como a discursiva foi cobrada para Agente, Escrivão e Papiloscopista.
Produzido por Rodolfo Souza, Capitão da Polícia Militar de Goiás, bacharel em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e MBA em Polícia Ostensiva.
Para acompanhar esta análise com fidelidade ao texto oficial, utilize o PDF do último edital (Agente, Escrivão e Papiloscopista).
A Prova Discursiva foi avaliada com base em quatro critérios objetivos, previstos na Tabela 12.2 do edital. A pontuação máxima foi de 32 pontos, distribuída conforme os aspectos abaixo.
O candidato deveria apresentar conhecimento teórico e prático a respeito do assunto ou tema abordado na questão, demonstrando domínio técnico e científico.
Esse era o critério de maior peso da prova, representando exatamente 50% da pontuação total (16 de 32 pontos). Aqui a banca avaliava profundidade, precisão conceitual e domínio do conteúdo específico do cargo.
A resposta precisava ser integralmente relacionada ao tema proposto pela questão discursiva. Caso o candidato deixasse de atender algum ponto essencial vinculado ao conhecimento técnico (Aspecto 1), haveria descontos também neste critério.
Ou seja, não bastava saber o conteúdo: era necessário responder exatamente o que foi perguntado, respeitando o recorte temático definido pela banca.
A argumentação deveria ser pertinente, clara e estruturada, demonstrando capacidade de defender um ponto de vista com lógica e coerência, além de revelar senso crítico sobre o tema apresentado.
Importante: caso o candidato obtivesse nota zero nos critérios 1 e 2, este critério também seria automaticamente zerado.
A estrutura textual deveria apresentar uso adequado de: ortografia, pontuação, regência, concordância, organização de parágrafos, respeito às margens e legibilidade.
Assim como no critério anterior, caso o candidato obtivesse nota zero nos aspectos 1 e 2, o critério de Língua Portuguesa também seria pontuado com nota zero.
Total máximo: 32 pontos
Nota mínima exigida: 16 pontos
O edital estabeleceu que o candidato deveria obter 16 pontos ou mais para não ser eliminado. Isso representa exatamente 50% da pontuação da prova discursiva. Quem ficasse abaixo desse patamar estaria automaticamente eliminado do concurso.
Se você está se preparando para Agente, Escrivão ou Papiloscopista, participe do grupo exclusivo com informações oficiais, análise de edital, estratégias para a prova discursiva e atualizações do concurso.
O edital foi objetivo: qualquer uma dessas hipóteses implicaria atribuição de nota zero à prova discursiva.
Mínimo: 20 linhas | Máximo: 40 linhas
Qualquer fragmento escrito fora do espaço próprio ou que ultrapassasse o limite de 40 linhas seria desconsiderado para efeito de avaliação. O descumprimento dos limites poderia gerar perda de pontos.
A prova deveria ser feita à mão, pelo próprio candidato, em letra legível, utilizando exclusivamente caneta esferográfica transparente de tinta azul ou preta.
O rascunho no caderno de questões não tinha validade para correção. Apenas a Folha da Versão Definitiva era considerada.
A correção da prova discursiva foi realizada com garantia de sigilo absoluto da identidade do candidato.
A Folha da Versão Definitiva era digitalizada e disponibilizada à banca sem identificação, preservando a impessoalidade do processo avaliativo.
A seguir, eu destrincho a prova discursiva do cargo de Agente de Polícia da 3ª Classe com base no espelho oficial disponibilizado pela banca: tema completo, tópicos exigidos, resposta-modelo (o que era esperado) e, principalmente, como a banca distribuiu pontos e descontos em cada critério.
Material de referência: Espelho Discursiva Cargo Agente PCGO.
O enunciado situou o candidato diretamente na Lei nº 12.850/2013, destacando que ela define organização criminosa e trata da investigação criminal, meios de obtenção de prova, infrações correlatas e procedimento criminal aplicável. Em seguida, a banca determinou que o candidato discorresse de forma fundamentada sobre os tópicos abaixo.
Repare na lógica da banca: a questão já veio “fatiada”. Isso significa que, na correção, a pontuação também foi distribuída por subitens — e quem não respondeu um pedaço do enunciado perdeu pontos específicos.
O espelho oficial deixou claro o núcleo que deveria aparecer no texto, com ênfase em: definição legal (com elementos), identificação do bem jurídico, efeitos extrapenais para servidor, e diferenciação prática entre ação controlada e infiltração (inclusive requisitos formais e prazos).
Nota técnica: o próprio espelho registra que, para nota máxima, é dispensável citar a numeração de artigos ou súmulas. O que importou foi acertar o conteúdo e estruturar bem a resposta.
Além dos critérios gerais do edital, o espelho do cargo de Agente detalhou a correção por tópicos, com pontuação máxima e descontos. Abaixo está a estrutura de correção apresentada no próprio espelho.
O espelho “fatiou” o conteúdo em subitens e atribuiu pontuação máxima para cada um:
| Subitem (o que precisava aparecer) | Pontos (máximo) |
|---|---|
| Conceito de organização criminosa | até 3,00 |
| Bem jurídico-penal tutelado | até 1,00 |
| Efeitos extrapenais (servidor público) com trânsito em julgado | até 4,00 |
| Definição de ação controlada | até 2,00 |
| Dispensa de autorização judicial (ação controlada) | até 2,00 |
| Infiltração: legitimidade para o pedido | até 2,00 |
| Infiltração: prazo de duração | até 2,00 |
Estratégia direta: para buscar pontuação alta, a resposta precisa “bater” em cada bloco do enunciado, evitando omissões. O espelho deixa claro que a pontuação máxima não depende de citar números de artigos/súmulas, mas de acertar conteúdo.
Aqui a banca aplicou uma lógica objetiva: cada item não abordado (ou abordado de modo incorreto/incompleto) no Conhecimento Técnico (critério 1) gerava descontos no Atendimento ao Tema.
| Falha (no conteúdo técnico) | Desconto (até) |
|---|---|
| Não tratar corretamente o conceito | até -1,00 |
| Não tratar corretamente o bem jurídico | até -0,50 |
| Não tratar corretamente os efeitos extrapenais | até -1,50 |
| Não tratar corretamente a definição de ação controlada | até -0,75 |
| Não tratar corretamente a dispensa de autorização judicial | até -0,75 |
| Não tratar corretamente a legitimidade para infiltração | até -0,75 |
| Não tratar corretamente o prazo da infiltração | até -0,75 |
Tradução prática: você pode até escrever bem, mas se “escapar” um subitem do enunciado, você perde em dois lugares: no conhecimento técnico e no atendimento ao tema.
O espelho classificou a argumentação por faixas de desempenho, o que mostra que a banca observou a qualidade do encadeamento lógico, a clareza e a capacidade de sustentar o raciocínio.
Dica estratégica: como a questão era técnica, a “argumentação” aqui não é opinião. É a capacidade de organizar tecnicamente a resposta, costurando conceitos, efeitos e procedimentos de forma coerente.
O espelho também detalhou como seriam aplicados descontos na Língua Portuguesa, incluindo teto para erros gramaticais. :contentReference[oaicite:8]{index=8}
Aqui a banca foi matemática: o candidato precisa escrever com legibilidade, respeitar margens e organizar parágrafos, porque isso impacta diretamente a nota.
Baixe o PDF para acompanhar o enunciado, a resposta-modelo e a distribuição de pontos exatamente como foi publicada.
A seguir, eu destrincho a prova discursiva do cargo de Escrivão de Polícia da 3ª Classe com base no espelho oficial disponibilizado pela banca: tema completo, itens exigidos, resposta-modelo (o que era esperado) e como a banca distribuiu pontuação e descontos em cada critério de correção.
Material de referência: Espelho Discursiva Escrivão PCGO.
A discursiva do Escrivão cobrou a Lei nº 9.296/1996, que regulamenta o inciso XII (parte final) do art. 5º da Constituição Federal, sobre interceptação de comunicações telefônicas para prova em investigação criminal e instrução processual penal.
A banca montou a questão como um checklist técnico: são seis itens. Na correção, isso vira pontuação fracionada. Quem deixou de responder um item perde pontos no conhecimento técnico e também sofre desconto no atendimento ao tema.
O espelho apresentou uma resposta-modelo com os pontos essenciais: competência do juiz e prazo decisório, legitimidade para requerer, hipóteses de inadmissibilidade, procedimentos da autoridade policial (incluindo ciência ao MP, transcrição e relatório/auto circunstanciado), e regras específicas da captação ambiental (legitimidade, requisitos e prazo).
Repare como a resposta-modelo amarra: competência, legitimidade, requisitos negativos (inadmissibilidade), procedimento e prazo. Isso é o “esqueleto” que a banca procurou na folha definitiva.
O espelho especificou como seriam atribuídos os pontos do Conhecimento técnico-científico (até 16) e como seriam aplicados os descontos no Atendimento ao tema (até 6). Além disso, reafirmou o padrão de avaliação dos itens 3 (argumentação) e 4 (língua portuguesa).
A banca definiu que os seis itens (a–f) deveriam ser respondidos, com a seguinte distribuição de pontos:
| Item | Pontos (máximo) |
|---|---|
| (a) Autoridade competente + prazo para decisão | até 2,00 |
| (b) Quem efetua o requerimento | até 2,00 |
| (c) Hipóteses em que a interceptação não é admitida | até 3,00 |
| (d) Procedimentos a serem adotados pela autoridade policial | até 3,00 |
| (e) Captação ambiental: quem requer + situações/requisitos | até 3,00 |
| (f) Prazo de duração da captação ambiental | até 3,00 |
Isso mostra um padrão: a banca valorizou principalmente os itens de maior densidade técnica (inadmissibilidade, procedimentos e captação ambiental), cada um valendo até 3 pontos.
O espelho foi direto: se o candidato deixou de informar ou informou parcialmente qualquer item do Aspecto 1, receberia desconto de até -1,00 por item, até o limite do critério (6 pontos).
Leitura prática: como são 6 itens, a banca criou um sistema “1 por 1”: cada item omitido pode derrubar até 1 ponto no atendimento ao tema. Por isso, responder “metade” da questão tende a gerar perda automática nesse critério.
O espelho reafirmou o mesmo padrão de avaliação:
Como a questão é objetiva por itens, “argumentação” aqui significa: clareza, organização e capacidade de responder tecnicamente sem confusão, com parágrafos bem montados e linguagem precisa.
Em uma questão de múltiplos itens, a maior perda de nota costuma vir de duas falhas: omissão de subitens e respostas genéricas. O espelho mostra que a banca pontua o detalhe técnico.
Baixe o PDF para acompanhar o enunciado, a resposta-modelo e a distribuição de pontos exatamente como foi publicada.
Agora vamos destrinchar a prova discursiva do cargo de Papiloscopista Policial da 3ª Classe, com base no espelho oficial disponibilizado pela banca: tema completo (enunciado), perguntas exatamente como caíram, resposta-modelo (o que era esperado) e o sistema objetivo de pontuação e descontos.
Material de referência: Espelho Discursiva Papiloscopista PCGO.
A banca optou por um estudo de caso com narrativa completa envolvendo violência doméstica, descumprimento de medida protetiva, prisão em flagrante, discussão sobre fiança, divergência em documento de identificação, interrogatório com pedido de advogado e possível abuso de autoridade.
Repare no desenho: são 4 itens diretamente ligados a rotina policial e fundamentos legais. No espelho, isso vira pontuação fracionada e descontos por item não atendido.
O espelho trouxe um exemplo de resposta que atende ao enunciado e, depois, incluiu apontamentos relevantes sobre alternativas aceitas e respostas parcialmente consideradas.
Esse conjunto de apontamentos é ouro: mostra como a banca lidou com respostas alternativas (aceitação total, parcial e exigência de fundamentação).
O espelho deixou expresso que a prova seria avaliada pelos 4 critérios do edital (total de 32 pontos), mas detalhou a divisão do Conhecimento técnico-científico (16) e o mecanismo de descontos no Atendimento ao tema (6).
A banca discriminou 4 critérios (um para cada pergunta do enunciado), com até 4 pontos cada:
| O que precisava aparecer na resposta | Pontos (máximo) |
|---|---|
| (1) Apontar os crimes cometidos contra a vítima | até 4,00 |
| (2) Demonstrar impossibilidade de fiança pela autoridade policial, com fundamentação | até 4,00 |
| (3) Afirmar possibilidade de identificação criminal + métodos (datiloscópico e fotográfico) com fundamentação | até 4,00 |
| (4) Demonstrar ilegalidade do interrogatório e fundamentar (infração penal/abuso de autoridade ou análise parcial) | até 4,00 |
O espelho estabeleceu descontos fixos: cada critério não atendido no Conhecimento Técnico (itens 1–4 acima) gera desconto de até 1,5 ponto no Atendimento ao Tema.
| O que faltou (no conhecimento técnico) | Desconto (até) |
|---|---|
| Não apontar os crimes | -1,5 |
| Não discutir fiança com dispositivo/justificativa | -1,5 |
| Não abordar identificação criminal e métodos | -1,5 |
| Não relatar infração penal/ilegalidade do interrogatório com fundamentação | -1,5 |
Observação crítica do espelho: a inobservância do limite mínimo/máximo de linhas (regra do item 12.6/12.8.1 do edital) pode acarretar a perda de 2/3 dos pontos do critério “Atendimento ao tema proposto na questão”. Isso pode derrubar o candidato mesmo com bom conteúdo.
O espelho esclareceu que a avaliação seguiria o padrão abaixo:
Tradução prática: como é estudo de caso, a banca quis resposta objetiva, organizada e fundamentada. Escrever “bonito” sem responder os 4 itens não segura nota.
Aqui não é “redação genérica”: é resposta técnica aplicada ao caso. Quem treinou por espelho conseguiu somar pontos “no detalhe”.
Baixe o PDF para acompanhar o enunciado completo, a resposta-modelo, os apontamentos da banca e a distribuição de pontos.
Com base no edital e nos espelhos oficiais, fica evidente que a prova discursiva da PCGO foi construída para premiar quem consegue transformar conhecimento em resposta objetiva, organizada e completa. A banca não avaliou “texto bonito” de forma isolada: ela avaliou atendimento integral ao enunciado, precisão técnica, fundamentação, clareza e correção da escrita, com distribuição de pontos e descontos bem definidos.
Nos três cargos (Agente, Escrivão e Papiloscopista), o padrão se repetiu: a questão veio “fatiada” em itens, e o espelho mostrou que a nota depende diretamente de responder cada item com o conteúdo correto. Isso reforça a estratégia que mais aprova: treinar discursiva por espelho, com estrutura e checklist, corrigindo lacunas de conteúdo e ajustando a forma do texto para evitar descontos.
A partir deste fechamento, o próximo passo natural é sair do estudo documental e entrar no treino: montar modelos de resposta, simular tempo, revisar erros recorrentes e consolidar “tópicos obrigatórios” por assunto. É assim que a discursiva deixa de ser risco e passa a ser vantagem competitiva.
Se você quer transformar o estudo do edital em desempenho real na prova, conheça a área de cursos online do Instituto, com foco em preparação estratégica para concursos policiais.