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Concurso PC PI: prova impossível da FGV gera revolta e pode deixar menos de 15 classificados

RS Concursos

29/01/2026 14:08:10

Concurso PC PI - Polêmica na prova da FGV

Concurso PC PI: prova “impossível” da FGV gera revolta e pode deixar menos de 15 classificados

As provas do concurso da Polícia Civil do Piauí (PC PI), aplicadas no domingo (25/01/2026), desencadearam uma onda de reclamações entre os candidatos. A seleção, organizada pela FGV, teve avaliações objetivas e discursivas para Oficial Investigador e Perito Criminal, e o nível de dificuldade foi o principal motivo de revolta.

Relatos apontam uma prova considerada fora do padrão, com Informática em um nível descrito como “de perito criminal”, além de itens de Português e Direito vistos como excessivamente complexos e extensos. Soma-se a isso textos descritos como “gigantescos”, que teriam desgastado os participantes ao longo das 5 horas de exame.

O ponto mais sensível, porém, foi a combinação entre uma prova muito difícil e uma regra dura: a cláusula de barreira. Com isso, o cenário extraoficial mais comentado é o de que menos de 15 candidatos teriam atingido o perfil mínimo para avançar no cargo de Oficial Investigador.

Por que a prova virou polêmica?

A insatisfação se espalhou rápido após a aplicação das provas. Candidatos e professores destacaram, principalmente, a percepção de que o conteúdo cobrado teria extrapolado o que normalmente se vê em concursos do tipo — com um bloco de Informática apontado como tecnicamente elevado, além de enunciados longos e textos extensos que teriam exigido resistência física e mental durante toda a avaliação.

Na leitura de parte dos candidatos, o exame teria se afastado do objetivo prático de medir aptidão para a rotina policial e se aproximado de um modelo de prova “imprevisível” e altamente técnico.

Cláusula de barreira: regra que pode ter eliminado a maioria

Um dos pontos mais criticados foi a cláusula de barreira, que exige 50% de acertos em cada disciplina isoladamente. Ou seja: mesmo com boa nota no conjunto da prova, o candidato pode ser eliminado se ficar abaixo do percentual mínimo em apenas uma matéria — e a Informática, descrita como muito acima do esperado, apareceu como o exemplo mais citado.

O resultado prático dessa combinação (dificuldade elevada + barreira por disciplina) foi considerado alarmante por participantes e especialistas.

Menos de 15 classificados? Entenda o cenário extraoficial

Segundo dados extraoficiais divulgados por sites que reúnem e ranqueiam notas cadastradas pelos próprios candidatos, entre centenas de pontuações informadas para Oficial Investigador, menos de 15 teriam alcançado o perfil mínimo considerando a barreira por matéria.

Se esse quadro for confirmado oficialmente, o número de aptos seria insuficiente para preencher as 150 vagas imediatas previstas para a função. Vale lembrar que o certame registrou 37.711 inscrições no total.

Reações: de candidatos revoltados a declaração polêmica do sindicato

A frustração ganhou força nas redes e grupos de estudo. Houve relatos de candidatos que investiram alto em preparação, passaram anos estudando e até viajaram entre estados para fazer a prova, mas se sentiram “derrubados” por um exame que, na avaliação deles, não mede a aptidão para o cargo — e sim a capacidade de suportar uma prova excessivamente pesada.

Professores também relataram surpresa. Em comentários atribuídos a docentes de Informática, por exemplo, teria havido quem acertasse apenas duas das oito questões do componente. Especialistas ainda apontaram que o repertório cobrado em Informática seria mais aprofundado do que o visto em concursos recentes para perito da Polícia Federal.

Em análise divulgada, o professor Victor Dalton sustentou que houve excesso na cobrança e criticou a ausência de fontes claras para sustentar as respostas, defendendo que o propósito do concurso deve ser selecionar os melhores — e não reprovar quase todos com questões imprevisíveis.

No meio da polêmica, surgiram ainda suspeitas levantadas por candidatos e especialistas de que parte das questões poderia ter sido montada com apoio de inteligência artificial, justamente pela dificuldade de identificar fontes de consulta que expliquem as respostas.

Outro fator que acirrou os ânimos foi a manifestação do diretor do Sindicato dos Policiais Civis do Piauí (SINPOLPI), Albertino Arêa Leão, que elogiou a FGV e afirmou que a prova serviria para “selecionar os melhores”. A declaração foi alvo de críticas de outros profissionais, que a classificaram como “política” e desconectada da realidade dos candidatos.

O que pode acontecer agora?

A principal expectativa comentada é a quebra (suspensão) da cláusula de barreira. Um precedente citado nesse tipo de discussão foi um concurso da Polícia Penal do Ceará, em que a dificuldade elevada teria eliminado a maioria e a regra acabou sendo revista. Se a barreira cair, os candidatos voltariam a concorrer pela classificação geral, o que tende a aumentar significativamente a quantidade de aprov associated aos próximos passos do concurso.

Por outro lado, especialistas alertam que essa decisão costuma trazer instabilidade jurídica, com recursos e ações de candidatos que poderiam alegar prejuízo por terem seguido as regras originais. Já a anulação da prova, pedida por alguns, é tratada como um cenário mais remoto.

Segundo a reportagem, houve contato com a FGV, a Polícia Civil do Piauí e o Sindicato para solicitar esclarecimentos.

Panorama do concurso PC PI

Organizado pela FGV, o concurso da PC PI oferece 200 vagas imediatas e mais 216 oportunidades em cadastro reserva para os cargos de Delegado, Perito Oficial Criminal e Oficial Investigador. A remuneração inicial informada chega a R$ 20.601,38.

Delegado de Polícia Civil

Vagas imediatas: 30

Cadastro reserva: 30

Oficial Investigador

Vagas imediatas: 150

Cadastro reserva: 150

Perito Oficial Criminal

Detalhe: vagas distribuídas por especialidades (Perito Criminal e áreas médicas/odontológicas)

Inclui: Perito Criminal (várias formações) e Perito Médico-Legista (especialidades), além de Perito Odontolegista

O concurso é destinado a candidatos com nível superior e prevê avaliação por diferentes etapas, incluindo provas, exames e curso de formação.

Etapas do concurso e datas das provas

De acordo com o cronograma informado, os candidatos são avaliados em duas fases, com etapas eliminatórias e classificatórias.

1ª Fase – Prova Objetiva
Eliminatória e classificatória (todos os cargos).
1ª Fase – Prova Discursiva
Eliminatória e classificatória (todos os cargos).
Perito e Investigador: aplicada em 25/01/2026.
Delegado: prevista para 12/04/2026.
Avaliação Psicológica
Eliminatória (todos os cargos).
Exame de Saúde
Eliminatório (todos os cargos).
Avaliação de Títulos
Classificatória (todos os cargos).
Teste de Aptidão Física
Eliminatório (todos os cargos).
Prova Oral
Eliminatória e classificatória (apenas para Delegado).
Investigação Social
Eliminatória (todos os cargos).
2ª Fase – Curso de Formação
Eliminatório (todos os cargos).

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